O rock progressivo, com suas composições complexas e experimentais, começou a ganhar espaço no Brasil durante as décadas de 1980 e 1990, um período marcado por transformações culturais e abertura para novas influências musicais. Embora o gênero tenha suas raízes firmemente plantadas na Europa dos anos 1970, especialmente com bandas como Pink Floyd, Yes e Genesis, o Brasil começou a desenvolver sua própria cena progressiva, adaptando as influências internacionais ao contexto local.

Nos anos 80, o Brasil vivia um momento de efervescência cultural, com a abertura política e o fim da ditadura militar. Esse cenário permitiu que novas expressões artísticas emergissem e que o rock, em suas variadas formas, se consolidasse como uma das principais vertentes musicais do país. Dentro desse contexto, o rock progressivo encontrou um público ávido por inovação e complexidade sonora.
Bandas como O Terço, que já havia iniciado suas atividades nos anos 70, continuaram a desenvolver seu som progressivo, incorporando elementos da música brasileira e explorando temas líricos e instrumentais complexos. O Terço é frequentemente lembrado como uma das pioneiras do gênero no Brasil, abrindo caminho para que outras bandas seguissem seus passos.
Nos anos 90, o cenário do rock progressivo brasileiro se expandiu ainda mais, com o surgimento de novas bandas que buscavam explorar a riqueza do gênero. Grupos como Sagrado Coração da Terra, liderado por Marcus Viana, trouxeram uma fusão de rock progressivo com música clássica e elementos da música regional brasileira, criando uma sonoridade única e inovadora. Outra banda significativa foi a Apocalypse, que, com seus álbuns conceituais e performances teatrais, conquistou um público fiel tanto no Brasil quanto no exterior.
As influências internacionais continuaram a desempenhar um papel crucial no desenvolvimento do rock progressivo brasileiro. Bandas europeias e norte-americanas serviram como referência, mas os músicos brasileiros também buscaram incorporar elementos locais, criando uma identidade sonora própria. Essa fusão de influências resultou em um rock progressivo que, embora respeitasse suas raízes internacionais, possuía uma assinatura brasileira inconfundível.
O surgimento do rock progressivo no Brasil durante os anos 80 e 90 foi, portanto, um reflexo do desejo de inovação e da busca por uma identidade musical que dialogasse com o mundo, mas que também celebrasse a riqueza cultural do país. As bandas pioneiras e suas influências internacionais deixaram um legado duradouro, inspirando novas gerações de músicos a explorar as possibilidades infinitas que o rock progressivo oferece.